quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Hip-Hop é a Cultura Juvenil de massa mais Politizada do Brasil


30 DE DEZEMBRO DE 2010 - 0H00



Mano Oxi *

Ouvi esse comentário na 23 ° Reunião do Conselho Nacional de Juventude que ocorreu entre os dias 14 e 15 de Dezembro em Brasília.

Me senti lisonjeado por fazer parte desta cultura há mais de quinze anos. Nesse período todo tenho de admitir que o Hip Hop vem alcançando cada vez mais espaço de visibilidade e principalmente espaço de decisão.

Atualmente no Brasil, temos mais de três vereadores eleitos pelas candidaturas do hip-hop e mais de trinta nomes que concorreram resultando em ótimas votações, além de inúmeros jovens do movimento que ocupam cargos de confiança como: assessores parlamentares, secretários de cultura, coordenadorias de Políticas Raciais, entres outros.

O Governo Federal, representado pelo Excelentíssimo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no ano de 2010 reconheceu o Movimento Hip-Hop oficialmente, criando o Prêmio Nacional da Cultura Hip-Hop que ficou conhecido como “Prêmio Preto Ghóez” (Ghóez foi um importante ativista do Hip Hop brasileiro). Este prêmio tem como objetivo principal reconhecer o Hip Hop como cultura popular da juventude historicamente excluída em nosso País.

O Hip Hop vem se organizando também no terceiro setor; são inúmeras as organizações de hip-hop que já possuem o seu CNPJ e muitas já participam de licitações, disputando verba pública para financiarem suas ações culturais nas comunidades desassistidas pelo Poder Público em âmbito Municipal, Estadual e Federal.

Há mais de dez anos, o hip-hop criou os seus próprios veículos de comunicação, seja nos canais públicos ou independentes, Jornais expressos ou pela grande teia digital conhecida mundialmente como Internet. São muitos os sites, blogs e rede sociais para informar o público sobre os acontecimentos que envolvem nossa cultura.

Aqui no Rio Grande do Sul, os últimos dois anos foram muito significativos para a valorização e reconhecimento do Hip Hop nas esferas institucionais. Por exemplo, tivemos uma boa articulação para criar a Lei Municipal e Estadual do Hip Hop (10.378 Municipal e 13.043 Estadual), instituindo nossa cultura dentro do calendário da Cidade de Porto Alegre e do Estado do Rio Grande do Sul.

Em seguida, realizamos o 1º Encontro Estadual de Hip Hop que ocorreu no mês de Maio de 2009, reunindo mais de mil jovens do movimento, vindos das diferentes partes do Rio Grande do Sul no Teatro Dante Barone, na Assembléia Legislativa do Estado.

Realizamos o 1º Seminário Regional de hip-hop também em parceira com a ALERGS, onde tiramos alguns encaminhamentos dos quais irão nortear o movimento nos os próximos anos. Atualmente tramita na ALERGS o PL.124 que instituirá, quando for aprovada, uma Política Estadual do Hip Hop garantindo ações conjuntamente com o Governo do Estado.

Não posso deixar de citar o 3° Congresso de Hip-Hop que ocorreu na cidade de Santos, São Paulo, no mês de Janeiro de 2010, reunindo mais de cinco mil jovens de todos os cantos do Brasil para fazer um momento de reflexão sobre os avanços do movimento em nosso País.

Por fim, durante o mês de Outubro de 2010, foi criado o Fórum Estadual de Diálogo Permanente do Hip-Hop, instância máxima do Hip-Hop Gaúcho perante as esferas Institucionais do Estado.

Por tudo isso, acredito também que o hip-hop é a cultura juvenil de massa mais politizada do Brasil. Pode acreditá, é o Hip-Hop contribuindo para as transformações de nossa sociedade. Assim que é, um forte abraço a todos e todas.

sábado, 25 de dezembro de 2010

My Playlist

Registrar a História sempre....

Reunião preparativa da construção do 1º Encontro Estadual do Hip Hop, ocorrido no dia 13 de junho de 2009, na Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, da esquerda para direitam, Rapper Mano Oxi, Deputado Estadual Mano Chenges, DJ Péia, Deputado Raul Carrion, Grafiteiro Kuca 3.000, Jorge vinicius UJS e Jean Andrade Imprensa Alvo.

(Reporter imprensa F"/ Felipe Machado)

VOCÊ SABIA ?

QUARTA-FEIRA, 22 DE JULHO DE 2009

ESPAÇO "ENTRANDO NA MENTE"

foto do Rapper Mano Oxi / grupo DNAMC"S


VOCÊ SABIA ?

O Quilombro dos Palmares teve mais de 200 mil habitantes e durou mais de 100 anos, derrotando várias expedições que tentavam destruí-lo.



VOCÊ SABIA ?

Xica da Silva, escrava que foi libertada, era uma mulher bonita e inteligente, sabia ler e escrever numa época que a maioria das mulheres brancas e negras não sabiam...



VOCÊ SABIA ?

que o negro jamais aceitou a escravidão calado, segundo o historiador Clóvis Moura, existiram duas formas combativas de luta, 1º com Guerrilhas e a 2º com a participação dos escravos nos movimentos de Rebeliões Políticas, como a Inconfidência Mineira, a Revolta dos Alfaiates, Revolta da Chibata dirigida por João Cândido o Almirante Negro entre outras...

Poeta: Solano Trindade

Dia da Consciência Negra: Olurun Eke e a República incompleta


Poeta Solano Trindade

No Dia da Consciência Negra, é preciso repudiar a História do Brasil como um suceder de arranjos, combinações, "jeitinhos" em que o conflito nunca aparece ou, se vem à tona, é considerado como "coisa externa à nossa gente".

Por Gilson Caroni Filho*

Ao incluir o Dia da Consciência Negra no calendário escolar, a lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, não propiciou apenas um resgate da história dos povos negros. Foi bem além. Ensejou a necessidade de um novo olhar sobre culturas que, ao contrário da postulação ocidental, não colocam a questão da Verdade, de conteúdos absolutos e inarredáveis, de essências escondidas atrás de formas ou aparências. Sua riqueza é de outra ordem. E talvez este seja o significado mais profundo do dia 20 de novembro: memória e resistência como possibilidades históricas.

Para os que estudam a cultura afro-brasileira, é importante registrar a dinâmica de suas origens. Nelas, observamos uma espécie de culto da forma pela forma, algo como a valorização das dimensões plásticas. Seus mitos, rituais, danças, jogos e orações não remetem a quaisquer referências que lhes sejam exteriores, não expressam "outra coisa", não são aparências de uma essência. Portanto não podem ser “decifrados”, “interpretados" ou "descobertos", como ainda pretendem algumas de nossas teorias da cultura, herdeiras do ranço etnocêntrico do velho colonizador.

É o que apreciamos na aparentemente inconciliável visão de mundo que parece existir em alguns poetas negros, comoSolano Trindade (1908-1974). Em versos como "A minha bandeira/ É da cor de sangue/ Olurun Eke/ Da cor da revolução/ Olurun Eke", há uma estranheza que parece apontar para ausência de sentido lógico. Pura ilusão. O que lemos são instantes culturais, sínteses de uma vida vivida, de um artista ao sentir a realidade trágica do que é ser negro, também no Brasil.

Na verdade, do ponto de vista dos afro-descendentes, as expressões artísticas são mais para serem percebidas sensorialmente, vistas com a Alma, do que para serem "entendidas". Existe, portanto, uma defasagem entre aquilo que se quer dizer de um lado, e o que se consegue transmitir na realidade. É exatamente neste espaço que o negro brasileiro consegue criar as coisas mais bonitas de sua produção simbólica e de maior valor para sua negritude.

Ser negro no Brasil de 2010 é, culturalmente, assumir a Alma Popular: é pensar a partir do ponto de vista do povo. É, sobretudo, estabelecer sintonia ideológica com as classes sociais que foram exploradas durante nossos 510 anos de história. O grande saque que se iniciou com a invasão portuguesa, por causa do pau-brasil, continuou e prosperou até depois da Independência, sempre a beneficiar os brancos. Consolidou-se com a Abolição/Proclamação da República, e continua até os nossos dias.

No terceiro milênio, da perspectiva do negro, a paz, objetivo perseguido por toda a espécie humana, passa necessariamente pela resolução dos problemas que o grande saque, ocidental e cristão, criou para a negritude. No Dia da Consciência Negra, é preciso repudiar a História do Brasil como um suceder de arranjos, combinações, "jeitinhos" em que o conflito nunca aparece ou, se vem à tona, é considerado como "coisa externa à nossa gente".

O processo de desestruturação do mito da “democracia racial” no campo teórico tem avançado muito nos últimos anos. Já no terreno social e da luta política, apesar das políticas públicas implementadas recentemente, o atraso ainda é considerável. Por isso, é necessário resgatar a memória histórica dos negros, em todos os tempos e sentidos. Olurun Eke, para que a República seja proclamada em definitivo.

*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

Filho de peixe, peixinho é....

12/12/2006

Direitos Humanos

foto:autor desconhecido
Conhecidos os ganhadores do Prêmio 2006
Passava um pouco das 21h desta segunda-feira (11), quando os escolhidos para receber o Prêmio Direitos Humanos de 2006 foram conhecidos pelo público presente no Santander Cultural, em Porto Alegre, onde ocorreu a cerimônia. Os quatro ganhadores foram o Instituto de Educação de Ivoti; o Programa Papo Cabeça, da Universidade de Santa Cruz do Sul; o Major Antônio Marcos Cidade, da ONG Núcleo Comunitário e Cultural Belém Novo; e Agnaldo Camargo ‘Mano Oxi’, nas categorias Formação de Consciência de Cidadania, Divulgação dos Direitos Humanos, Defesa dos Direitos Humanos, e Protagonismo Juvenil, respectivamente. Ausente da solenidade por estar participando, em São Paulo, de encontro de Hip-Hop, Oxi foi representado pela filha. Luara Camargo, de dois anos, recebeu o troféu em nome do pai.

A cerimônia iniciou às 19h30min com música: 74 crianças moradoras de Estância Velha e Novo Hamburgo, integrantes do ‘Projeto Guri’, que reúne jovens em situação de vulnerabilidade social e menores com relações familiares estáveis, apresentaram cinco composições, entre elas ‘Imagine’, do ex- Beatle John Lennon. “Esta troca é muito importante para ambos os lados crescerem na convivência com o oposto”, elogiou o deputado Dionilso Marcon, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa.

O Prêmio Direitos Humanos destaca anualmente pessoas físicas e jurídicas que desenvolvem ações voltadas para a promoção, a defesa e a divulgação dos direitos humanos. A premiação, criada em 1998 e já concedida a mais de 100 pessoas e entidades, chega, em 2006, a sua nona edição, sendo possível graças à parceria da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia, Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho e Unesco, que organizam todo o processo, desde a inscrição dos concorrentes à entrega do troféu.

Direitos Humanos X Pinochet

Durante a solenidade, o presidente da CCDH, Dionilso Marcon, lembrou a morte do ex-ditador chileno, Augusto Pinochet, ocorrida em 10 de dezembro, coincidentemente na data em que é comemorado Dia Internacional dos Direitos Humanos. “Este é um dia marcado para defender a vida. É lamentável que Pinochet tenha morrido sem pagar na Justiça pelas milhares de vidas que foram exterminadas no Chile sob o seu comando”, afirmou.

Marcon ainda pediu maior atenção dos meios de comunicação para as iniciativas que visam defender e consolidar os direitos humanos. “A divulgação destas ações, como o Projeto Guri, que assistimos há pouco, é fundamental para que este movimento pela vida e pela dignidade se fortaleça. Esta é uma batalha que temos que ganhar todos os dias e queremos contar com o apoio de toda a sociedade”, frisou. O deputado também parabenizou todos os concorrentes. “Não existe um projeto melhor e outro pior. O que interessa é que todos nós, entidades promotoras, inscritos, selecionados e público que aqui está, lutamos por paz e solidariedade humana, princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos que ontem completou 58 anos”, apontou o petista.
www.ptsul.co.br/Por Luciane Fagundes.

Escrito por josegomesjunior às 14h51

Promotor reforça ligação de acusado de matar Sabotage com o tráfico

Julgamento sobre morte de rapper entra em seu segundo dia.

Defesa de acusado se pronunciará na tarde desta terça-feira.

Letícia MacedoDo G1 SP

O promotor de Justiça Carlos Roberto Talarico reafirmou que Sirlei Menezes da Silva, acusado de matar o rapper Sabotage, seria o líder do tráfico de drogas na Favela da Paz, na Zona Sul de São Paulo. A acusação foi reforçada na manhã desta terça-feira (13), segundo dia do julgamento sobre a morte de Sabotage, no Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista.

O julgamento, interrompido por volta das 22h30 de segunda-feira (12), foi retomado nesta manhã com o debate entre acusação e defesa. A acusação foi a primeira a se manifestar. O promotor relembrou as circunstâncias do crime e evocou trechos de depoimentos anexados aos autos. Com a ajuda de mapas, mostrou a suposta coerência entre a hora do registro do boletim de ocorrência e o trajeto que Sabotage fazia com frequência logo depois de deixar a sua esposa no trabalho, valorizando o depoimento das testemunhas.

O promotor afirma que a viúva e Sabotage já tinham percebido que estavam sendo observados naquela região pelo menos uma semana antes do crime por um carro escuro, e que o rapper se sentia inseguro.

O clima ficou tenso quando o promotor afirmou que Sirlei Menezes da Silva teria bens em seu nome aos quais não teria condições financeiras de adquirir. “Em menos de um mês, ele comprou um caminhão e um apartamento em Suzano. Ele é o chefe do tráfico na favela da Paz”, declarou.

O promotor evocou ainda o depoimento de uma testemunha protegida. Ela afirmou que Sirlei teria comemorado a morte de Sabotage dizendo: “Eu matei o Sabotage. Vai cantar agora com Deus”.

No início da tarde desta terça será a vez de se manifestar do defensor público Marcelo Carneiro Novaes, que apresentará a defesa de Sirlei.